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Conheça o Artista: Rod Mendez

Publicado em 25 de agosto de 2014 por Adel Sontav

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Hello, Vietnam!

Hoje vamos começar com uma nova área no blog, que já vinha sendo planejada há algum tempinho.

É sempre importante manter o contato com as pessoas da área. Elas vão te ajudar através da troca de informação, feedback e indicações. Quanto mais gente você conhece (e troca informações), mais áreas no mercado se abrem e maior é o progresso na sua própria técnica.

Buscar conhecer o trabalho de outros artistas é um ponto extremamente importante nesse processo, amplia o seu repertório e te faz conhecer novas técnicas que podem influenciar seu próprio trabalho.

Como muita gente não sai de casa e fica vendo anime o dia todo esquece essas coisas, resolvi dar um empurrãozinho e abrir espaço aqui para mostrar o trabalho de artistas que eu conheço/admiro. 

Mas chegar aqui e tacar um monte de imagem com link é fácil. Pensei numa ideia mais batuta. Então o que vai rolar aqui é conteúdo do próprio artista, uma entrevista rápida com o objetivo de apresentar o trabalho dessas feras.

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Vamos começar com o camarada Rod Mendez. Conheci o trabalho do Rod na época do Deviantart e acompanho a sua evolução desde então. O que mais gosto no trabalho do Rod é o misto de uma pegada mais clássica com um estilo um pouco mais moderno usando técnicas digitais. Foquei nossa conversa nas etapas iniciais da escolha de trabalhar na área. na importância da troca de informações entre artistas e a influência do trabalho tradicional no processo digital. Então, go conhecer o trabalho do cara:

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Rod Mendez

Localidade: Fortaleza(CE)/Brasil

Website : mendezart.com/blog/

Rod: “Olá, meu nome é Rodrigo Mendez e sou um ilustrador e concept artist freelancer. Também atuo como professor de desenho no Estúdio Daniel Brandão e como instrutor na Art & Cia Animation School, ambos em Fortaleza. Minha formação é a de tecnólogo em Artes Visuais, porém antes disso, trabalhei e estudei Arquitetura e Urbanismo. Atualmente venho trabalhando na produção de card games/rpgs tanto para o exterior quanto nacionalmente e na produção de um Curta 3D.”

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Quando você decidiu trabalhar com arte?

Rod: Creio que decidi trabalhar com desenho desde o meu período colegial quando era deslumbrado com quadrinhos e animações japonesas, porém confesso que faz pouco tempo que realmente descobri o verdadeiro sentido da firme decisão de trabalhar com arte quando tive contato e aprofundamento com artistas de concept art. E isso foi por volta de 2010-2011

Quais foram as maiores dificuldades que encontrou ao seguir a carreira?

Rod: “Uma das maiores dificuldades que pude encontrar foi uma forma para o desenvolvimento de minha técnica por falta de pessoas próximas as quais poderiam me dar um feedback apropriado e isso é altamente importante nessa carreira. Outra dificuldade que enfrentei e ainda enfrento as vezes é a falta de seriedade de alguns clientes para com o artista no Brasil: ultimamente vem crescendo o número de pequenas empresas de jogos (sejam eles eletrônicos ou de mesa), o que é bom para o mercado nacional, entretanto é difícil encontrar um cliente que queira pagar um valor justo, valendo-se muitas vezes de convites para parcerias sem certeza de retorno.”

Como o feedback de outros artistas te ajudou a melhorar a sua técnica?

Rod: “Bom, é sempre importante ter a opinião de outras pessoas em relação ao seu desenho. O que acontece é que quando desenhamos, estamos tão concentrados em certos detalhes que acabamos deixar passar muita coisa; tanto é que muitos artistas deixam o desenho “descansando” para depois dar uma nova olhada nele e procurar enxergá-lo como um todo. Por outro lado, ainda assim alguns detalhes escapam e por isso é que muitas vezes temos que mostrar o que fazemos a outros olhares, os quais vão ver o desenho de forma geral. No caso de outros artistas, são olhares mais treinados. Portanto, esse feedback me ajudou (e ajuda), justamente para que eu possa corrigir pontos aonde eu estou errando e melhorar cada vez mais.”

Quais as melhores fontes de aprendizado/incentivo que encontrou? 

Rod: “Felizmente com a internet podemos ter fácil e rápido acesso a conhecimento e conteúdo. Para melhorar estou sempre procurando por novos artistas nas comunidades artísticas como o drawcrowd, artstation ou até mesmo o deviantart e tutoriais online como o skillshare ou o recente gumroad. Também procuro adquirir bons livros para incrementar o aprendizado. Finalmente, estou sempre treinando o básico pois como o nome já diz: a base é o mais importante para qualquer trabalho.” 

Explique um pouco sobre o seu processo de trabalho: 

Rod: “Nesses dias venho mudando o meu método de trabalho e também depende muito do que tenho em mente para fazer. Antes de mais nada, eu procuro sempre experimentar um método diferente para agilizar ou incrementar o meu trabalho. Ultimamente venho trabalhando bastante nas formas (shapes) com bastante calma e também na procura de referências, pois este é um dos processos mais importantes de um trabalho. Também procuro rascunhar bastante com a intenção de encontrar solução para problemas apresentados durante um briefing de um trabalho. Em seguida, digitalmente, vou trabalhando com adições de camadas detalhando e refinando a imagem a cada nova camada. Gosto de trabalhar dessa forma pois sinto uma identificação com a pintura tradicional ao usar esse método.” 

Sobre técnicas digitais, qual a importância que você vê do trabalho tradicional ao lidar com a  mídia digital?

Rod: “Em minha opinião um não exclui o outro. Na verdade para mim o digital nada mais é do que uma extensão do tradicional, que é a base de tudo. Ao trabalhar bem o tradicional, a fluidez do meu trabalho digital melhora como por exemplo, a sensação de mais rápidez e precisão em meus traços digitais (strokes), ou quando resolvo praticar um pouco de pintura tradicional, sinto uma melhora em minha percepção de cores no digital e fico menos perdido ao ter as milhões de cores digitais a disposição. Por fim, é a velha história de que no tradicional você não tem o “CTRL + Z”, precisando assim pensar um pouco a frente em cada movimento que você irá fazer. Isso se reflete no digital.”

Quem/quais são suas inspirações?

Rod: “Essa é uma pergunta difícil, mas creio que minha maiores inspirações são os trabalhos do Jamie Jones, Craig Mullins, Ruan Jia e Wesley Burt”

O que você aconselha a quem está buscando trabalhar nessa área?

Rod: “Com base em experiência própria , o melhor conselho que posso lhe dar é: tenha um objetivo definido em seus estudos e trabalhe duro para chegar até lá. Uma vez que você o atingiu, estabeleça outra meta maior e assim por diante. Tenha foco. Outra conselho é: tenha alguém como base para atingir e procure ser tão bom quanto ele ou melhor. Estude bem a sua técnica, mas não se limite a fazer uma mera cópia e sim, procure entender como ele ou ela chegou até aquele resultado específico. Desenho, pintura, o que for, requer estudo como qualquer outra disciplina. E finalmente, procure a inspiração em vários lugares: filmes, jogos, livros, viagens… o que for. Quanto mais abrimos os olhos e mente, mais a criatividade vem facilmente. Procure estabelecer um horário de estudo rígido, mas também tenha aquele seu momento de relaxamento para que o cérebro possa “digerir” melhor a informação recebido ao longo do dia.   

Então é isso, galere. Espero que tenham curtido o trabalho do Rodrigo e adicionado mais uma ótima referência à lista de artistas conhecidos por vocês.

Em breve teremos mais artistas compartilhando experiências aqui, so, stay tuned. E lembre sempre de comentar suas impressões na área de comentários!

 

 

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