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Por que jogos?

Publicado em 25 de agosto de 2015 por Adel Sontav

Por que jogos?

Tava pensando aqui, são mais ou menos sete anos trabalhando com isso…

Tenho aqui o primeiro email trocado com o Breno Azevedo, ainda na época da Fluidplay, isso foi em 2009, eu mal sabia o que era um tileset. Até então tinha sido um joguinho pra tijolofone aqui… ou Flash ali…

De la pra cá nunca foquei em grandes estúdios, nunca quis me enfiar dentro de uma caixola, nunca sonhei em ser famoso com a bebida que pisca nem nada. Só queria viver do que faço, e venho fazendo isso há mais de dez anos já.

Não tava nos planos, eu sempre gostei de joguinho, mas sempre gostei mais de desenhar mesmo, seja piroca na parede, seja monstrinho no papel.

Mas em algum ponto…os pontos… se cruzaram. E isso eu devo às pessoas com quem convivi.

Em algum momento eu saquei que não vale kceta de nada a técnica fodona se vc não dá valor às conexões que tu faz. Se vc não pega essa energia e expande adiante, se vc não é grato, se tu é alguém que só absorve, uma hora fica que nem cachorro louco correndo atrás do próprio rabo.

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Gratidão extrema. Do primeiro empurrão pra aprender pintura digital, que a Luma Perrete me deu (me passando as técnica da Paola Pieretti – acho que ela nem sabe disso), dos esquema da Shirley pros comics, das poderosas dicas do Igor Libertador, lições do Alexandre Chagas no dia à dia do trabalho, de observar o fodástico Eduardo Cardenas e aprender muita coisa com o Renato Alarcão. Indo mais atrás no túnel do tempo, naquele grupo de doidos que iam ficar ricos como mangakás (hein, Thiago Vieira e Evandro FireHeart?)

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Indo mais nas raízes, por tudo que meu pai me ensinou a arriscar e se jogar quando a gente sente que tem que fazer, lição que mesmo no último suspiro ele me lembrou. E pela cautela mas ao mesmo tempo desinibição e força que minha mamis mostra até hoje.

Por todas as equipes com quem já trabalhei nesse tempo todo, com quem ja convivi como família (afinal muitos já me viram pelado ou semi…) Cada uma dessas pessoas me ensinou bastante, e essas experiências se moldaram em novas aventuras. Por todas as pessoas com quem convivi em todas as esferas possíveis (gente que te ensina o sentido do que é “ser humano” como Rod De Castro).

Todos os turning points da minha vida estão diretamente ligados às pessoas.

Ah vai, mas então, por que jogos?
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Porque mesmo no menor grau de envolvimento, perceber a conexão que essa mídia cria e poder viver essa experiência é de certa forma vivenciar um tipo de magia. Daqueles que se levam ao extremo produzindo àqueles que se aventuram na outra ponta daquela experiência, é um puta fluxo de energia que te faz bem e que não te deixa na zona de conforto.

A gente teme a tecnologia porque ela é nova e ainda nos portamos como seres amebóides perante o seu potencial. No momento que nos tornarmos mais humanos, aprenderemos a lidar melhor com esse elemento alquímico do capiroto.

Eu ja vi gente sair do fundo do poço por causa de jogos, eu ja vi nego quebrar a casa, eu ja vi criança sorrir e velhote se borrar de chôro (me included). Já vi amores se formarem e vidas serem criadas. Poder fazer parte disso é ótimo, mesmo da casa quebrada, sorry.

É mais ou menos como o trabalho do animador, que passa uma vida de extrator de carvão perdido em frames mas não deixa de sorrir que nem besta quando ta tudo pronto.

Não seria assim se não fosse o igrediente humano. A mistura alquímica de mentes variadas, racionais, irracionais, insanas, contidas, corajosas e cagonas. Everything is fucking connected, dude! Go ver Sense8, go!

Jogos sim, não pelo produto, não pelo dinheiro, mas por essa mistura volátil que te expande. Por ter que lidar com o incerto todos os dias e se despir do cagaço infame.

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Away.

PS: por que esse texto? Sei la, tô até sóbrio.
PS2: cade a piroca do texto? Atraixx de vocêeah.

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