Tag: ilustração

  • Publicado em 10 de julho de 2015 por Adel Sontav

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    Nota: agora, voltando a escrever por aqui, decidi abrir o momento “Ora Bolas!”, onde falarei sobre coisas óbvias, mas que muita gente dá uma de dodói e não sacou ainda. A ideia é não ser muito longo nas divagações, ou vamos acabar chegando aos mistérios do universo. Mas eu sei que às vezes vou acabar escrevendo demais e…ah, fuck it all, a prolixia é minha e a paciência é sua 😉

    Então, let’s vamos?

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    Nos últimos dias uma artista que sigo no twitter estava falando sobre a quantidade de pessoas que, ao descobrir com o que ela trabalha, perguntam o porquê de ela não procurar um emprego em empresa X ou Y, dizendo que com o talento dela, poderia “se tornar profissional” trabalhando em estúdio A ou B.

    Detalhe, essa artista ja está no mercado há vários anos, vivendo tranquilamente do que faz.

    Logo liguei os pontos com coisas que ja presenciei e ainda vejo. Por exemplo, quando vou dar uma palestra, ou estou tendo conversas com um determinado grupo, os “sonhos” de se tornar profissional trabalhando para aquela grande empresa aparecem.

    Primeiramente, nada contra almejar trabalhar naquele lugar que admiramos, do qual nos inspiramos e acompanhamos o que é produzido com tanto carinho. Mas, veja lá, isso não é o que separa um profissional de um amador, muito menos uma fórmula mágica de sucesso e estabilidade.

    Ter um grande estúdio no currículo é uma conquista, sim. Mas não é isso que te torna um profissional na área. Pelo contrário, é exatamente o fato de você ser um profissional que vai te abrir portas para trabalhar com essas empresas.

    Mas e se não é isso que você quer exatamente? Você pode muito bem gritar um “fuck the system” e seguir caminhos diferentes.

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    Olha, vejo muita gente vivendo bem fazendo sua arte comissionada, abrindo seus estúdios e lidando diretamente com o cliente final, produzindo seus próprios materiais e tendo um público que os consome. Isso os torna menos profissionais do que “o cara do big estúdio fulano de tal?”. Na boa, ja ganhei mais trabalhando pra estúdio de fundo de quintal do que prestando serviço pra muita empresa grande por aí (e trabalhando de forma respeitosa, sem aqueles “prazos cu de pinto” e contratos bizarros).

    Vejo gente trabalhando pra empresa grande se ferrando pra fechar as contas da mesma forma que artistas autorais. E o contrário também acontece. Fama não paga conta e nem faz profissional.

    Ser profissional é uma mistura de domínio técnico + conduta + o fim para o qual você dá para sua arte, ponto. Profissionalismo independe do trabalho ser autoral ou não, ambos podem ser comerciais. Quando você faz aquilo bem, lida com o trabalho da forma certa e faz disso a sua profissão (i mean, quando você consegue REALMENTE viver do que faz), parabéns, selinho de profissional no meio da sua testa, bem embaixo do 666.

    damien

    Outro ponto importante é a questão do aprendizado. Se você foca num determinado estúdio, pode acabar refém de um nicho específico que pode morrer a qualquer hora. O artista deve desenvolver o seu próprio trabalho, a sua própria pegada, lógico que absorvendo e aprendendo com cada experiência, mas é preciso ser independente no que diz respeito à sua arte pois as tendências mudam, empresas fecham. Em resumo, companheiro, shit happens. Como ilustrador, você é a sua marca, a sua assinatura tem valor e viver de emular estilo dos outros pode até funcionar por um tempo, mas vai te atrofiar lá na frente (certo, povo do mangá?).

    duh

    Ser funcionário de um estúdio ou ser dono do seu próprio negócio é apenas uma questão de opção que um profissional pode ter, um caminho não diminui o outro e cada um tem seus pontos positivos e negativos. Mas mesmo o cara que foca em trabalhar dentro de estúdios tem que zelar pela sua criação pessoal se quiser evoluir. Só que aí é que ta, muitas vezes estar em um estudio te priva de qualquer outra produção, seja por carga horária, restrições contratuais ou alienação mesmo.

    Se a sua meta é mesmo trabalhar em estúdio, certifique-se de ter liberdade artística, que você possa trabalhar dentro do seu estilo (mesmo seguindo uma direção de arte), que possa levar suas ideias pessoais adiante, etc. Ou não, vai que o paycheck justifica né? Depois só não tenha “Um dia de Fúria”.

    Tente não analisar o valor de um profissional somente pelos “golden eggs” no currículo. Trabalho é trabalho independente do tamanho do cliente e da quantidade de likes.